Manutenção no retalho: como a ALE-HOP está a escalar para 500 lojas

Gestão da manutenção no retalho: seis lições da ALE-HOP para passar de 350 a 500 lojas sem perder o controlo. Veja o vídeo da conversa completa.

Infraspeak Team
•06 de novembro de 2026•7 min read

Há cinco anos, a ALE-HOP tinha cerca de 200 lojas. Hoje tem mais de 350 entre Espanha, Portugal, Itália e Croácia, e o objetivo é chegar às 500. Cada abertura traz mais ativos, mais fornecedores e mais ocorrências, e uma cadeia que cresce a este ritmo não pode deixar a gestão da manutenção no retalho na memória de meia dúzia de pessoas.

No evento multissetorial do Grupo Borrmart (que publica as revistas Facility Management & Services, Limpiezas e Formación Seguridad Laboral), Manuel Vinaroz Gomis, responsável pela manutenção da ALE-HOP, sentou-se ao lado de Asier Carrión, Senior Account Executive da Infraspeak, para explicar como o estão a conseguir. Falaram do que funcionou, do que tiveram de deitar abaixo e do que o Manuel faria diferente se começasse hoje. A conversa foi em espanhol, por isso as citações abaixo são tradução nossa.

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Aqui ficam as ideias principais da conversa, com um pouco mais de contexto sobre o percurso da ALE-HOP.

O que muda na manutenção quando uma cadeia de retalho passa de 200 para 500 lojas?

Muda a escala de tudo. Cada loja nova traz mais ativos, mais fornecedores, mais ocorrências e mais pessoas: na ALE-HOP, pelo menos três ou quatro pessoas a mais por loja. Se o modelo de trabalho não estiver preparado, a complexidade cresce mais depressa do que a equipa.

Antes de digitalizar a manutenção, as ocorrências chegavam por um formulário do Google Drive, uma folha de Excel, o telefone, o WhatsApp ou o e-mail. Não havia rastreabilidade, as fotografias e os comentários perdiam-se pelo caminho e a equipa técnica ia a cada loja “praticamente às cegas”, nas palavras do Manuel. Saber que fornecedor tinha intervindo antes numa loja, ou quanto tinha custado realmente uma ocorrência, levava um tempo que ninguém tinha.

6 lições da ALE-HOP para escalar a manutenção no retalho

Nenhuma destas lições depende de ter tudo perfeito desde o primeiro dia. Todas passam por construir um modelo que se possa replicar em cada abertura e corrigir pelo caminho.

1. Uma só porta de entrada para as ocorrências

Hoje, todas as ocorrências da ALE-HOP entram pelo mesmo sítio, e qualquer pessoa consegue ver em segundos o que se passa em cada loja. Lojas, equipa técnica, fornecedores e equipa de manutenção trabalham com a mesma informação, em tempo real.

O curioso é o que aconteceu ao volume de ocorrências:

“Agora faço mais ocorrências do que antes. Não vou dizer que faço menos. O que se perdeu foi a gravidade da ocorrência.”

Com um único canal, as lojas avisam mais cedo e melhor, e os problemas resolvem-se quando ainda são pequenos. A climatização, a ocorrência estrela em quase qualquer operação de manutenção, desceu para o quarto ou quinto lugar na ALE-HOP. No topo da lista estão agora o mobiliário e a parte elétrica.

2. Registe os ativos que importam (não todos)

A ALE-HOP gere hoje mais de 4000 ativos de forma centralizada. Ainda assim, o Manuel avisa que o número não é o objetivo:

“Se registarmos todos os ativos, cada luz um ativo, cada extintor um ativo, cada coluna de som um ativo, ficamos malucos.”

A primeira pergunta é qual é o seu ativo crítico, e para isso uma análise de criticidade poupa muitas voltas. Na ALE-HOP, o primeiro nível é a loja. Um código QR ou uma etiqueta NFC dá acesso à documentação e ao histórico, e permite abrir uma ocorrência sem ter de mapear cada equipamento de climatização em separado (se está a começar, aqui tem um guia de rastreamento de ativos).

O objetivo é que o histórico viva no ativo e não na cabeça de alguém: o que foi feito, que fornecedor interveio e quanto custou. Se amanhã sair uma pessoa da equipa, quem chegar encontra tudo ali.

3. Se a estrutura não funciona, deite-a abaixo

No segundo ano, a ALE-HOP percebeu que tinha registado os ativos da forma errada. A solução foi drástica: “Deitámos abaixo o sistema todo e fizemo-lo como quisemos.”

A partir daí, associaram o pessoal das lojas e os fornecedores, atribuídos por zona. Entre o segundo e o terceiro ano, já tinham um bom plano preventivo e a manutenção legal bem documentada. Todos os anos acrescentam mais alguma coisa à ficha de cada loja, desde saber se tem rampas até às fotografias de cada intervenção. Para o Manuel, o modelo tem de estar vivo: “Todos os anos damos mais um passo até onde queremos chegar.”

4. Comece pequeno e replique

Se começasse hoje, há um erro que o Manuel evitaria de certeza: arrancar com as 200 lojas de uma vez. A alternativa dele é “um modelo replicável mais pequeno, um grupo de lojas mais pequeno que seja replicável noutras”.

A ALE-HOP continua a aplicar essa lógica. As novidades testam-se primeiro numa zona-piloto, a Andaluzia, com os fornecedores, e quando funcionam alargam-se ao resto. Foi assim que chegaram a Itália e à Croácia sem notarem a diferença. E quando entrou uma pessoa nova na Catalunha, numa semana já trabalhava com a plataforma com toda a normalidade.

O Asier resumiu-o para as outras cadeias presentes na sala: o modelo da ALE-HOP não tem de ser o seu, porque cada negócio é diferente, “mas tem de haver um modelo”.

5. Planeie com anos de antecedência, com um plano que se possa alterar

A manutenção preventiva da ALE-HOP já está planeada até 2028. Esse planeamento é o que lhes permite antecipar-se em vez de correr atrás de cada avaria, a forma mais direta de sair do ciclo reativo em que vivem tantas equipas de manutenção.

Um plano a três anos só serve se puder ser ajustado. Como explicou o Manuel: “Agora muda uma norma e conseguimos alterá-la em dois cliques dentro da plataforma.” Se quiser montar o seu, este plano de manutenção preventiva em 5 passos é um bom ponto de partida.

6. Primeiro, as pessoas

Na ronda final de perguntas rápidas, o Asier perguntou-lhe o que faria primeiro se a ALE-HOP o contratasse hoje para assumir toda a manutenção. O Manuel não falou de software: procuraria as pessoas certas.

“Isto é um trabalho de pessoas. Gerimos espaços e eu considero que o que se gere são pessoas.”

Para que a equipa adote uma ferramenta nova, a receita dele tem duas partes. A primeira é acreditar nela: “Quando acreditamos, a equipa acredita.” A segunda é não levar o projeto sozinho, mas partilhá-lo com alguém ao seu nível, porque senão “cria-se um afunilamento”.

À equipa técnica, explicaram-no com algo que já conhecia: a aplicação é o trabalho de sempre, agora no telemóvel, e poupa-lhes tempo. Cada ação está especificada ao pormenor (na limpeza de um filtro, por exemplo, uma fotografia antes e outra depois), pelo que qualquer pessoa nova trabalha da mesma forma desde o primeiro dia.

E a primeira coisa que o Manuel verifica todas as manhãs? Liga à equipa técnica para saber como está e, depois, compara as ocorrências abertas com as fechadas.

Que resultados alcançou a ALE-HOP?

Desde que centralizou toda a operação de manutenção na Infraspeak, a plataforma colaborativa de FM, a ALE-HOP:

  • gere mais de 4000 ativos de forma centralizada

  • aumentou em mais de 30% a resolução de ocorrências

  • poupa mais de uma hora por dia a cada pessoa da equipa técnica e de gestão, cerca de 220 horas por ano por pessoa

  • tem a manutenção preventiva planeada até 2028

Como resume o Manuel: “Hoje sabemos exatamente o que se passa em cada loja. Podemos antecipar-nos. Já não andamos a apagar fogos o dia todo.”

E a vaca?

Se alguma vez entrou numa loja da ALE-HOP, conhece a vaca da porta. A última pergunta da conversa foi se também conta como ativo. Segundo o Manuel, conta: é o ativo mais valorizado da loja.

Escalar sem perder o controlo é possível se tiver um modelo, o testar em pequeno e se atrever a mudá-lo quando não funciona. Cada cadeia terá o seu, com as suas lojas, os seus fornecedores e a sua vaca.

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