O 'herói do FM' mantém a gestão de facilities presa no modo socorro
Quando o FM só aparece depois que algo já quebrou, as quebras viram a única coisa pela qual ele é medido.
Quando o FM só aparece depois que algo já quebrou, as quebras viram a única coisa pela qual ele é medido.

Toda equipe de FM tem seu momento de herói. Uma bomba quebra numa sexta-feira, a equipe vira a noite, e na segunda todo mundo agradece. Por um dia ou dois, a gestão de facilities é a função mais importante do prédio. Depois o drama passa e o FM volta a ficar invisível até a próxima quebra.
Não estamos desmerecendo a habilidade. Resolver um problema complicado em cima da hora é um talento de verdade, e vale a pena ter. O problema é que a história dos "heróis do FM" recompensa uma estrutura ruim. Ela mantém a função no modo socorro, onde é avaliada pela forma como limpa o estrago, e não por saber se esse estrago era evitável desde o início. Trabalho de socorro faz barulho, então puxa a atenção para o incêndio e afasta do que causou.
Quando o FM só aparece depois que algo já quebrou, as quebras viram a única coisa pela qual ele é medido. O ciclo reativo continua girando — algo falha, a equipe salva o dia, todo mundo segue em frente, e aí outra coisa falha.
A maioria dos líderes de FM sabe onde isso dá. A empresa aprova novos ativos, escolhe novos fornecedores, abre uma nova unidade, e ninguém pensa em envolver o facilities. O FM só conhece esses ativos depois, quando já começam a quebrar. Nessa hora, o único trabalho que sobra é o socorro.
Melhorar em apagar incêndio não muda nada disso. O FM precisa estar na sala antes de o incêndio ser sequer possível.
Isso significa ter voz nas decisões de investimento antes de o orçamento ser fechado, e um lugar na mesa quando a empresa escolhe fornecedores ou renova um contrato. A equipe que vai manter um ativo pelos próximos dez anos tem algo relevante a dizer sobre qual ativo comprar logo de cara. Envolva ela cedo e as decisões melhoram — você compra equipamento que custa menos para operar, e fecha com fornecedores que realmente entregam o que prometem no contrato. Essa é a diferença entre o FM como uma linha na planilha de custo e o FM como forma de controlar quanto a operação custa para rodar.
Nada disso significa abrir mão da capacidade de lidar com uma crise. Guarde o superpoder. Só pare de construir a função inteira em torno da necessidade de usá-lo.
Uma equipe de FM que é consultada desde cedo passa menos tempo socorrendo e mais tempo prevenindo as emergências que pedem esse socorro. Tira a capa, e a Sandra ganha uma terça-feira normal e sem sobressaltos, que no FM é o que uma boa semana realmente parece.
Coloque o FM na sala onde essas decisões são tomadas. É aí que o ciclo reativo finalmente quebra.