O 'herói do FM' mantém o facilities management preso em modo de socorro

Quando o FM só aparece depois de algo já ter avariado, as avarias tornam-se a única coisa pela qual é avaliado.

Infraspeak Team
03 de julho de 20263 min read

Toda a equipa de FM tem o seu momento de herói. Uma bomba avaria a uma sexta-feira, a equipa fica até tarde e, na segunda-feira, toda a gente agradece. Durante um dia ou dois, o facilities management é a função mais importante do edifício. Depois o drama esbate-se e o FM volta a ficar invisível até à próxima avaria.

Não estamos a desvalorizar a competência. Resolver um problema complicado em cima da hora é um talento real e vale a pena ter. O problema é que a narrativa dos "heróis do FM" premeia um mau ponto de partida. Mantém a função em modo socorro, onde é avaliada pela forma como limpa os estragos — e não por saber se esses estragos eram evitáveis à partida. O trabalho de socorro faz barulho, por isso puxa as atenções para o incêndio e afasta-as da decisão que o acendeu.

A armadilha de ser o herói

Quando o FM só aparece depois de algo já ter avariado, as avarias tornam-se a única coisa pela qual é avaliado. O ciclo reativo continua a girar — algo falha, a equipa salva o dia, toda a gente segue em frente, e depois falha outra coisa.

A maioria dos líderes de FM sabe onde isto leva. A empresa aprova novos ativos, escolhe novos fornecedores, abre um novo espaço e ninguém se lembra de envolver o FM. O FM só conhece esses ativos mais tarde, quando já começam a avariar. Nessa altura, o único trabalho que resta é o socorro.

Levar o FM a montante

Ficar melhor a apagar incêndios não muda nada disto. O FM tem de estar na sala antes de o incêndio ser sequer possível.

Significa ter lugar nas decisões de investimento antes de o orçamento ser aprovado e um lugar à mesa quando a empresa escolhe fornecedores ou renova um contrato. A equipa que vai manter um ativo durante os próximos dez anos tem algo a dizer sobre que ativo comprar, logo à partida. Envolva-os cedo e as decisões melhoram — compra-se equipamento que custa menos a operar e assinam-se contratos com fornecedores que conseguem realmente cumprir o combinado. É essa a diferença entre o FM como uma linha na folha de custos e o FM como forma de controlar quanto custa operar o negócio.

Dê à Sandra uma terça-feira normal

Nada disto significa abdicar da capacidade de gerir uma crise. Guarde o superpoder. Só pare de construir toda a função à volta da necessidade de o usar.

Uma equipa de FM que é consultada cedo passa menos tempo a socorrer e mais tempo a prevenir as emergências que exigiriam esse socorro. Tire a capa e a Sandra ganha uma terça-feira normal e sem sobressaltos, que em FM é o que realmente parece uma boa semana.

Ponha o FM na sala onde essas decisões são tomadas. É aí que o ciclo reativo finalmente se quebra.