As 3 fases da Curva da Banheira

A curva da banheira dá ao gestor de manutenção o contexto que precisa para planejar o tipo de manutenção mais adequado ao ciclo de vida do ativo.

Infraspeak Team
06 de mai. de 20268 min read

O desempenho de cada ativo vai variando ao longo da sua vida, até finalmente chegar à idade de ser substituído. Há vários indicadores que nos permitem acompanhar esta evolução, como a densidade de probabilidade de falha, a taxa de danos e a probabilidade acumulada de falha: são conhecidas como as "leis da vida" ou curvas de mortalidade. Um software gestão de ativos pode ajudar a monitorar estes indicadores de forma eficiente.

Neste artigo, vamos falar da curva da taxa de danos, também conhecida como “bathtub curve” ou “curva da banheira” devido à sua forma.

O que é a curva da banheira?

Esta função representa a probabilidade de um determinado ativo falhar ao longo do tempo e nos permite distinguir claramente três fases distintas no ciclo de vida do ativo, como pode ver no gráfico. Conhecer bem estas três fases permite adaptar o seu plano de manutenção ao longo da vida do ativo.

Compreender bem a curva da banheira nos permite, em primeiro lugar, determinar a sua vida útil, a sua confiabilidade e mantê-lo controlado. Mas a principal vantagem é, sem dúvida, conseguir planejar melhor como e quando fazer manutenção. Um software CMMS pode facilitar este planejamento ao longo de todas as fases do ciclo de vida do ativo.

O objetivo final, como sempre, é estender a vida útil do ativo e aumentar a sua disponibilidade sem manutenção desnecessária. 

Para alcançar este objetivo de forma eficiente, a implementação de um software gestão de facilities pode otimizar significativamente o controle de ativos em todas as fases da curva da banheira, proporcionando maior visibilidade e controle sobre o desempenho dos equipamentos.

Quais são as 3 fases da curva da banheira?

Fase 1: Mortalidade Infantil 

No início da vida do ativo, na sua “infância”, a taxa de falhas é elevada, mas evolui em sentido decrescente, com declive negativo. É o período conhecido como mortalidade infantil. 

Nesta fase, as falhas se devem a problemas de raiz no projeto, falta de controle de qualidade, erros na instalação, defeitos de fabricação, componentes inadequados ou rodagem insuficiente. 

Como evitar a mortalidade infantil dos ativos?

Há várias estratégias para diminuir a mortalidade infantil dos ativos e evitar falhas na infância. Deixamos aqui algumas sugestões:

  • Depuração – testes preliminares com tecnologias automáticas e sensores. Os equipamentos defeituosos são descartados ou reparados antes de saírem da fábrica. 

  • Testes de aceitação e confiabilidade – reavaliações do equipamento sempre que há uma troca de peças, alterações no projeto, nas ferramentas ou processos, entre outras mudanças. 

  • Controle de qualidade – use técnicas de detecção precoce de danos, como a análise de vibração, para detectar problemas. 

  • Ensaios aceleradose testes de burn-in – testes que consistem em submeter o equipamento a condições iguais ou mais exigentes que o normal, para observar o seu comportamento em esforço ou para medir os resultados obtidos em determinado tempo. 

Qual é a melhor manutenção para ativos novos?

No caso destes ativos jovens, o melhor é adotar uma manutenção corretiva, pois é a única solução para que a falha não se repita. Além disso, ainda poderá ativar a garantia e exigir uma reparação ao fabricante ou à empresa responsável pela instalação.

Para uma gestão eficaz dos ativos durante esta fase inicial, é fundamental contar com ferramentas adequadas como um software gestão de estoque que permita controlar peças e componentes necessários para as correções e ajustes frequentes desta etapa.

Um elevador novo pode falhar 2 a 3 vezes por mês. Estas falhas acontecem por erros na instalação ou problemas no arranque do elevador e, normalmente, resolvem-se com ajustes entre o elevador, a caixa de corrida e o poço do elevador do edifício. Este período dura entre 2 (no melhor dos casos) a 12 meses (no pior), dependendo da qualidade dos materiais e da mão de obra.

Fase 2: Vida Útil do ativo

Nesta altura, o ativo já é “adulto”. A taxa de falhas se estabiliza porque todos já sabem manipular o equipamento e os erros de fabricação estão reparados. Esta etapa é conhecida como vida útil do ativo. 

Durante a vida útil do ativo, as falhas são aleatórias e acontecem por erros humanos, falhas naturais, uso em excesso ou sobrecarga e danos acidentais. A taxa de danos deve ser igual ao inverso do MTBF. 

Qual é a melhor manutenção para ativos adultos?

Durante a vida útil do ativo, recomendamos que siga as recomendações do fabricante em relação a revisões periódicas. A estratégia de manutenção mais adequada para um ativo adulto é a manutenção preventiva, ou caso a operação esteja preparada para isso, a manutenção preditiva, de forma a prever quando acontecerá uma inflexão da curva e entrar na fase 3. 

Para implementar efetivamente estas estratégias de manutenção preventiva e preditiva, um software field service management pode ser essencial para coordenar as atividades de manutenção em campo, garantindo que as revisões periódicas sejam executadas conforme planejado.

Fase 3: Desgaste e Mortalidade Senil 

Nesta altura, o ativo já é “idoso”. A taxa de falhas vai aumentando progressivamente e o gráfico da curva da banheira tem um declive positivo. Corresponde à fase de desgaste ou de mortalidade senil. Nem todos os ativos chegam necessariamente a este fim, pois alguns deixam de ser utilizados antes de se desgastarem (por exemplo, eletrônicos que foram substituídos quando a tecnologia se tornou ultrapassada, apesar de ainda estarem em pleno funcionamento). 

Nesta etapa, as falhas se devem ao desgaste progressivo dos componentes, à manutenção deficiente ou às revisões incorretas. As reparações acarretam cada vez mais gastos e os riscos de segurança são cada vez maiores.

Qual é a melhor manutenção para ativos no fim de vida?

Nesta etapa do ciclo de vida dos ativos, a melhor manutenção é a manutenção preventiva, que é mais eficaz para manter a segurança do ativo e estender a sua vida útil. O ideal é adotar novas medidas de manutenção preventiva assim que notar um aumento na taxa de danos, para evitar uma subida acentuada e manter a taxa constante de danos próxima da que tinha na fase 2. 

Para garantir que todas as medidas de manutenção preventiva sejam implementadas corretamente nesta fase crítica, é importante contar com um software de compliance que assegure o cumprimento rigoroso das normas e procedimentos de manutenção estabelecidos.

Que ações de manutenção preventiva são adequadas no fim de vida dos ativos?

  • Plano de manutenção e de inspeção – faça um plano detalhado com todas as revisões e ações de manutenção que devem ser feitas ao longo do ano. Dê prioridade aos ativos que começam a apresentar "sinais da idade". 

  • Substituição preventiva de componentes – não espere que o equipamento falhe sem reparação possível. Nesta etapa, deve ponderar a substituição preventiva de componentes chave (por exemplo, baterias e motores), especialmente se os novos componentes contam com garantias longas. 

  • Utilize componentes de qualidade – por vezes, em ativos mais velhos, existe a tentação de usar componentes diferentes dos de origem, mas “compatíveis” com o equipamento. No entanto, se está investindo em reparações, é melhor apostar em componentes duráveis e homologados pelo fabricante. 

  • Supressão de agentes nocivos – na medida do possível, tente manter o equipamento nas condições mais adequadas, com a temperatura e o nível de umidade no ar recomendados. 

O nosso elevador volta a ter 2 a 3 danos por mês. Mas desta vez não se trata de erros de fabricação ou da instalação, como no início da curva da banheira. Os danos se devem à corrosão, que se traduz na deterioração visível dos componentes mecânicos e eléctricos. Ocasionalmente, acontecem por falhas na manutenção ou por manutenção insuficiente. O elevador já não está bem nivelado com os pisos e, muitas vezes, para entre os andares. Em breve, teremos que escolher entre substituir o elevador, o que é muito caro, ou substituir peças essenciais, como o variador de frequência. 

Cabe à manutenção avaliar e decidir se é melhor reparar ou substituir o equipamento. Se agir logo no início da fase de desgaste, é possível modernizar a maioria dos equipamentos para que voltem à fase um. Neste “reset”, irá notar um aumento de falhas logo após a reparação, como na fase de mortalidade infantil.

Neste processo de tomada de decisão entre reparar ou substituir, a utilização de um software CAFM permite uma visão integrada da gestão de ativos e facilities, fornecendo dados históricos e análises que facilitam a avaliação dos custos e benefícios de cada opção.

Estas falhas irão diminuir e, com o tempo, voltam a estagnar e entrar em um ritmo previsível. Se o custo desta modernização for inferior ao de um novo aparelho e oferecer garantias… recomeçamos o ciclo!